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Divertido esse misto de desejos e pertences, vivências vividas e pensadas. Falo do banco em que nos deitamos e dos olhares que nunca trocamos; daquilo que disse e daquilo que nem mesmo fui capaz de pensar em dizer; dos sorrisos que sorri e das lágrimas que em sorrisos nunca transformei.
Há também os delírios lúcidos, os sonhos pensados que insiro em realidades questionáveis. Lembro-me dos sonhos que jurei ter vivido e dos fatos que se pareciam com pesadelos que tive semana passada.
Um carnaval de vidas, festa de lembranças e esquecimentos. Desastrosamente propositais como um carro alegórico do terror em meio a tanto confete e purpurina.
B. Berenguer
Cede-me o teu olhar, junto à tua tez;
Aceita de uma vez o meu convite;
Se eu tentar te abraçar, beijar, permite;
Impede que te dite a timidez.
Os olhos rebaixados, a mudez,
Prá insensatez de quem dores admite,
Exceto não te ter. Deixa que grite
Tua alma e, nela, acata tal nudez.
Ser tímido é falar, mas não dizer;
Querer, poder e crer, mas não fazer;
Viver de um sentimento tão profundo
Como o amor e guardá-lo - quieto - ao peito,
Sofrendo sem parar, por um defeito,
O pecado mais puro que há no mundo.
B. Berenguer